Eduardo Campos e a Impermanência da vida

Admito: não era o maior admirador do Eduardo Campo, mas a sua morte me tocou de forma visceral … como se tratasse um amigo intimo e querido.

Recebi a noticia aqui da Romênia, 6 horas na frente do fuso br; nos preparávamos pra sair, Alina se arrumava, vaidosa – energia pra cima, como de costume; e eu ali em estado de choque, sem conseguir levantar da cadeira. Sem acreditar no que estava lendo. Não tinha nem 5 minutos e havia visto pela net sua entrevista no JN

“Não vamos desistir do Brasil” – Foi a última mensagem.

No caminho até o metro, segurando Alina firme pela mão, deu vontade de chorar:

“Esta é a vida … Frágil … Banal … Efímera. Um dia pegamos um avião e quando menos se espera … Bum! Bye Bye planos, sonhos e ilusões. Nada é permanente e a única certeza é a incerteza” – me veio a cabeça repetidas vezes como um mantra.

Foi então que veio a vontade de amar … amar quem nos é caro. Deixar as picuinhas de lado. As irritações, tão pequenas, do dia-a-dia. De pensar tanto em dinheiro, tão necessário mas não essencial. E no que a sociedade tanto espera de mim. Vontade de fazer o que eu amo. De viajar. De escrever. De compartilhar. E de realizar meus planos mais secretos. Parar com essa obsessão tão nossa, humana, de buscar abrigo naquilo nos parece solido e duradoiro (pobre ilusão).

Vontade de aceitar a fragilidade da vida … em seu caráter mais fulgaz, incerto e sagrado.

Vontade de amar. Como não houvesse amanhã.

Me recordo de um dia em que do nada – passeando pelo parque de Nova Friburgo – comecei a observar o mundo ao meu redor como se fosse a última vez.

Assim. Inconscientemente. Sem maiores explicações lógicas.

Lembro das flores e suas cores … e de ter ouvido o canto dos pássaros. De forma intensa. E bela. Não como se fosse a derradeira … mas a primeira vez na vida.

Acho que poucas vezes fui tão lúcido na vida.

Seguei a mão de Alina. O Metro partiu em direção a praça principal de Bucareste … Nos abraçamos. Ainda mais forte. Algumas pessoas nos olhavam. Pouco importa … Me lembrei do E. Coutinho. Dos palhaços tristes, Robin Williams e Fausto Fanti. Das tantas guerras e tragédias deste 2014 … Me deu vontade de chorar de novo.

Naquele momento, segurei a mão de Alina mais firme do que nunca.

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