Carlos, o viajante

Existem manhãs em que abrimos a janela e temos a impressão de que o dia está nos esperando, escreveu o poeta Charles de Baudelaire.

E aquela era, inegavelmente, uma destas manhãs incríveis onde pequena maravilhas acontecem a cada momento.

Carlos colocou a cabeça para fora de sua casa. Os raios do amanhecer se estendiam suaves sobre as cores de outono no jardim e as folham caiam formando um grande monte: castanho, amarelo e vermelho. Carlos escutou o canto do colibri e sentiu crescer dentro de si o espirito aventureiro:
Não há nada que excite mais a alma — disse em um momento de inspiração — do que os preparativos de uma grande viagem. A sensação de ir, a inquietude que te produz o incerto, a ignorância do desconhecido, a lonjura do que te espera e o mistério da palavra partir. Tenho saudades dos lugares onde ainda não estive. Amo os cheiros que ainda não experimentei e as montanhas que ainda não vi. Precisamos do sabor dar coisas, seu tato e seus sons. Precisamos ir ver.

Carlos fez uma pausa, observou os pássaros que voavam em meio a nuvens grandes que se arrastavam lentamente. E depois exclamou em um tom aventureiro:

Toda grande viagem começa com o primeiro passo!

E foi assim que Carlos, o caracol, começou sua grande e lenta jornada de pó e suor, júbilo e medo, ilusões e amores, de decepções e descobertas … até o imenso monte dourado de folhas caídas no jardim do meu vizinho.

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