Bisou, mon ami, Bisou

Eu estava esperando para entrar na Sinagoga do bairro judio de Fez quando ela se aproximou cheia de curiosidade. Era uma linda menina marroquina chamada Kenza.

– Você pode tirar uma fotografia minha? – perguntou em francês e, sem perder tempo, já foi fazendo a pose e distribuindo sorrisos.

Kenza tinha aproximadamente sete anos, se comunicava com uma inflexão segura; mexia os lábios finos, abrindo bem a boca ao falar e encarando o rosto do interlocutor. O seu cabelo era castanho e um pouco ondulado; agitava os pequenos olhos negros de maneira atenta, demonstrando o seu entusiasmo; tinha os dois dentinhos da frente separados e isso evidenciava ainda mais o seu sorriso. Sua pele era bem morena, queimada pelo sol, como uma autêntica brasileirinha.

Havia um grupo de meninas com ela, todas maiores, algumas vestidas com roupas típicas; ficaram nos observando a distância, com expressões envergonhadas e tímidas. Porém, Kenza, a mais sabida de todas, ainda tinha um último pedido antes de se despedir:

– Bisou, mon ami. Bisou.1

E me deu dois beijos na bochecha.

Fomos convidados a entrar e visitámos a Sinagoga ao lado do rabino … mas, eu não consegui prestar muita atenção. É que o meu coração tinha ficado do lado de fora, derretido, sob o efeito dos beijos daquela pequena menina marroquina.

 

 

 

1 “Beijo, meu amigo. Beijo”, em francês.

 

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