“Lutem, jovens!” Mais um dia de protesto na Romênia.

 

“Lutem, crianças, lutem!”

Essa senhora romena deu uma mensagem poderosa para os jovens do país.

“Não desistam”.

Estamos no quarto dia de protesto, em sua imensa maioria pacífico – 300.000 pessoas nas ruas ao redor do país e outros milhares fora dele – naquele que já é a maior manifestação na Romênia desde a queda do comunismo em 1989.

A lei que facilita a prática da corrupção foi aprovada, na terça-feira (31/01) à noite, sem dar informação sobre ela, lá pelas 22h …  e à meia-noite já milhares de romenos estavam nas ruas para protestar, apesar das temperaturas negativas de inverno.

Vamos Romênia! Estamos com vocês nessa luta contra a Corrupção.

A viagem interior por Luis Carlos Lisboa

“O encanto das viagens não está nas mudanças de cenário, ou na fuga à vida de todo dia, mas nas descobertas que se sucedem no espírito. Se a viagem externa – aquela que nos leva de um lugar a outro no mapa – não se fizer acompanhar de uma viagem interior, o cavaleiro estará vivendo talvez, no seu percurso, a mesma experiência de sua montaria.”

 

– Luis Carlos Lisboa.

 

Preciosa citação encontrada no sempre excelente e recomendadíssimo blog Odepórica.

 

Trilha pelas montanhas romenas, 20016. Foto: Davi Carneiro.

Interrelationship, By Thich Nhat Hanh

Interrelationship

You are me, and I am you.
Isn’t it obvious that we “inter-are”?
You cultivate the flower in yourself,
so that I will be beautiful.
I transform the garbage in myself,
so that you will not have to suffer.

I support you;
you support me.
I am in this world to offer you peace;
you are in this world to bring me joy.

– Thich Nhat Hanh

From “Call Me by My True Names: The Collected Poems of Thich Nhat Hanh,” Parallax Press

 

A estrada e o menino

Acabei cochilando em algum momento do trajeto. O ônibus cruzava a cordilheira dos Atlas e eu ia num assento da classe mais barata, com pouco espaço, pegado na janela e sem conseguir esticar direito as pernas.

Era domingo pela tarde. O caminho serpenteava montanha acima; íngreme e perigoso. O ônibus pingava a cada dez minutos; de vilarejo em vilarejo. Éramos poucos passageiros. Lembro-me de uma senhora de rosto enrugado e mãos calejadas; lembro-me de homens barbudos empapados de suor; lembro-me das mulheres berberes e da confusão criada por um rapaz que subiu acompanhado de pelo menos uma dúzia de galinhas.

Pela janela, viam-se nuvens grandes que se alastravam lentamente. Havia uma certa luz dominical no ar e o céu, muito alto e despejado, era de um azul profundo. O sol iluminava as montanhas ao redor e elas pareciam brilhar. Fazia muito calor. Pus o fone de ouvido e consegui abrir uma fresta na janela. Adormeci encostado na poltrona vizinha.

Quando acordei, um novo passageiro havia sentado ao meu lado: devia ter uns sete anos, era moreno, magrinho, e me olhava com uma cara entre a timidez e a curiosidade. A mãe estava no banco detrás e ia distribuindo um pacote de biscoitos entre os irmãos, quatro no total; todos mais novos do que ele. Cada um teve direito ao mesmo número de guloseimas.

Meu vizinho ficou parado por alguns instantes, me mirando; os olhos grandes e escuros, exatamente como duas bolas de gude; depois pegou uma bolacha e mastigou com vontade. Fiz positivo e dei um sorriso. Ele continuou me encarando, meio receoso, até que pareceu ganhar coragem, esticou a mão e me ofereceu um dos biscoitos que lhe cabia.

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Agradeci, surpreso; e, como retribuição, puxei a câmera e fiz um registro. Ele gostou. Quis outra fotografia. A mãe, que vestia um turbante azul, o repreendeu em árabe. Fiz um gesto com a cabeça: “não tem problema, ele não incomoda”. E, pouco a pouco, o garoto foi deixando a timidez; quis ver todos as minhas fotos, fez pose e careta, tirou retrato meu, da mãe e dos irmãos. Durante a próxima hora, eu e aquele menino fomos melhores amigos, sem ao menos dizer uma palavra em comum.

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Viajar é colocar em prova a nossa confiança no ser humano. Somos obrigados a acreditar na honestidade de pessoas que não conhecemos; estar sujeito à sua amabilidade e decência, muitas vezes sem o idioma ou qualquer outro traço cultural em comum. E, muitas vezes, nós, os viajantes, somos e menosprezados e enganados. A viagem, assim como a vida, está repleta de mentiras e ilusões.

Mas, ao mesmo tempo, o ato de viajar é uma espécie de otimismo em movimento. O viajante segue em frente. Se hospeda na casa de estrangeiros. Vive entre eles. Come da sua comida. Escuta das suas opiniões. Os viajantes são otimistas por natureza, pois caso contrário, não sairiam de casa. O deslocamento implica esperança e seguir viagem, por si só, é renovar nossa crença nas qualidades humanas.

O pacote não era grande, acabou rapidinho; mas o menino havia guardado a última bolacha. Ele me olhou de canto de olho e fingiu que ia comer de uma só mordida. Porém, sorrindo, acabou oferecendo-me novamente. Aceitei o ato generoso; não sem antes repartir pela metade. Não haviam diferenças entre aquele que dava, aquele que recebia e o presente propriamente dito. Comemos juntos o último pedaço.

O ato de viajar é uma espécie de otimismo em movimento. O viajante segue em frente. Se hospeda na casa de estrangeiros. Vive entre eles. Come da sua comida. Escuta das suas opiniões. Os viajantes são otimistas por natureza, pois caso contrário, não sairiam de casa. O deslocamento implica esperança e seguir viagem, por si só, é renovar nossa crença nas qualidades humanas.

O ônibus se deteve em um dos muitos vilarejos ao pé da montanha. Era o momento da família descer. A mãe se levantou, trocamos olhares e ela disse algo, desta vez com a voz cheia e quente. O menino ficou por último, levantámos-nos e abraçámo-nos. Uma luz suave cobria o aglomerado de casas pobres feitas de terra batida. Eles seguiram lentamente por um caminho de areia e pó. O motorista descreveu uma curva e começamos a sacudir montanha acima. E eu fiquei a agitar a mão até que o ônibus voltasse à estrada em direção à Marrakech.

 

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Somos todos imigrantes

Tinha vinte e oito anos e vendia girafas de madeira sobre uma manta estendida. Nos encontramos em frente à Piazza della Signoria em Florença. Perguntei de onde ele era.
 
– De lugar nenhum … – respondeu.
– Como é isso?
– Muitas vezes, é preciso nascer em um determinado lugar para ser tratado como ser humano. Prefiro continuar assim, sem país …
 
Ele se chamava Amadou e era um rapaz alto, atlético e de pele muito escura. Trazia um boné em cima dos olhos e fumava um cigarro barato. Vestia uma calça jeans rasgada e um paletó enorme, herdado provavelmente de alguém mais gordo que ele. Tinha olhos grandes e, enquanto contava a sua historia, abria-os ainda mais: “Deixei a minha cidade natal e viajei até a Mauritânia, daí atravessamos o Saara durante semanas até chegar ao Marrocos. Passámos quase um ano em Tanger e cruzámos o Mediterrâneo em uma lancha de borracha.” Amadou relatava os fatos muito devagar e sempre utilizando o plural. Aquela não havia sido uma viagem solitária: mais de vinte pessoas o acompanharam até Itália.
 
Para o escritor italiano Erri de Luca, estes imigrantes são os autênticos heróis épicos do nosso tempo. “Hoje os heróis, os Ulisses, estão em Lampedusa; em Ceuta ou Melila; nos centros de internamento para os imigrantes que arriscaram a vida na busca de melhores condições. Esta é a Odisseia dos nossos dias. Em comparação, as histórias da Europa próspera carecem de sentido e de força”. De Luca versificou este drama no seu livro Solo andata: “Nostra patria è una barca / noi siamo solo andata”[“Nossa pátria é uma barca/ Nós somos só bilhete de ida”, em italiano.].
 
As luzes da Piazza brilhavam num vermelho metálico. Os turistas, apressados, seguiam em direção à Galleria degli Uffizi. Via-se um grupo de adolescentes americanos que tiravam selfies e riam. Ouvia-se, em alguns momentos, as buzinas dos carros se arrastando como as vozes distantes. A noite caia sobre Florença e o rosto de Amadou, envolvido pelo crepúsculo, era um borrão negro sobre o paletó claro.
 
“As pessoas me chamam de ilegal e de clandestino”, ele continuou, “Mas, não tomo como um insulto. Eu não tenho pátria, onde estou, me sinto em casa. É um erro se alguém pensa que um lugar te pertence. Ninguém é dono de nada, tudo é emprestado nesta vida, meu amigo”, Amadou fez uma pausa; olhava imenso Perseu de bronze de Cellini erguendo a cabeça decepada da Medusa. “Não há estrangeiros e não estrangeiros. Ao sair do ventre das nossas mães, somos todos imigrantes …”
 
Não foi possível continuar aquela conversa em meio a Piazza della Signoria. Outro africano, ao longe, fez um sinal; se aproximava a polícia. Amadou deu um pulo, recolheu os seus produtos e saiu dali o mais rápido possível.
 
(Infelizmente não tenho uma foto do Amadou, não deu tempo … na correria da polícia; mas nosso diálogo me marcou pela coerência e clareza)
 

O sorriso de Kamal

– Hello! Where you from? – me perguntou o vendedor ambulante perto da Torre Eiffel.
 
Era um jovem alto e muito negro, devia ter a minha idade.
 
– Eu sou do Brasil, respondi em inglês. – Ahhh, do Brasil!, replicou, sem deixar eu continuar a frase, numa risada clara e solta: – Salaam aleikum, my friend![Que a paz esteja convosco, meu amigo!]
 
O homem ficou calado por alguns segundos, me olhando, sempre a rir. A luz do céu de Paris era intensa e a contraluz, o azul se misturava com o negro da pele e o cinza metálico da torre.
 
Ofereci a mão num aperto:
– Eu me chamo Davi. E você?
– Sou Kamal, do Senegal.
 
Conversamos mais um pouco. Kamal do Senegal era um dos milhares de africanos que arriscam suas vidas para chegar à Europa.
Chegou na Itália numa balsa improvisada, morou alguns meses na Alemanha, antes de chegar a Paris. Um dos seus irmãos não teve a mesma sorte. Quase cinco mil imigrantes morreram no ano de 2014 nesta mesma travessia, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM); número recorde num único ano. A OIM admitiu que o número não é preciso já que muitas das mortes nem sequer chegam a ser contabilizadas.
 
– Brasil e Senegal. Como irmãos. Somos parecidos! – disse Kamal, já no final do nosso encontro, sem parar de rir, pousando a mão direita sobre o coração.
– Quais as coisas que temos em comum? – perguntei, curioso.
– Não sei muito bem como dizer em inglês.
– Apenas tente.
– Senegal e Brasil. Parecidos. Até nos piores momentos. Nunca deixamos de sorrir.

Top Manta (J. París)

John Cage about Silence

That is why people sit and listen to rain.

Just listen : John Cage – in love with sound / silence -01

 

Transcript of the interview with John Cage in the film “Ecoute” (Listen) by Miroslav Sebestik:

[part 1]
When I hear what we call music, it seems to me that someone is talking, and talking about his feelings, or about his ideas of relationships. But when I hear traffic, the sound of traffic, here on 6th avenue for instance, I don’t have the feeling that anyone is talking. I have the feeling that sound is acting. And I love the activity of sound. What it does is it gets louder and quieter, and it gets higher and lower, and it gets longer and shorter. It does all those things.

I am completely satisfied with that. I don’t need sound to talk to me. We don’t see much difference between time and space. We don’t know where one begins and the other stops. So that most of the arts we think of as being in time, and most of the arts we think of being in space.

Marcel Duchamp, for instance, began thinking of music as being not a time art, but a space art. And he made a piece called “Sculpture Musicale,” which means: different sounds coming from different places and lasting, producing a sculpture which is sonorous and which remains.

People expect listening to be more than listening. And so they sometimes speak of inner listening, or the meaning of sound.

When I talk about music, it finally comes to people’s minds that I’m talking about sound that doesn’t mean anything, that is not inner, but is just outer. And they, these people who understand that, finally say: “you mean it’s just sounds?” — thinking for something to be just being a sound is to be useless. Whereas I love sounds, just as they are. And I have no need for them to be anything more than what they are. I don’t want them to be psychological, I don’t want sound to pretend it’s a bucket or that it is president or that it is in love with another sound. I just want it to be a sound.

And I’m not so stupid either. There was a German philosopher who is very well known, Immanuel Kant. And he said: there are two things that don’t have to mean anything: one is music and the other is laughter. Don’t have to mean anything, that is, in order to give us very deep pleasure.

[Cat comes up to Cage; speaking to cat] You know that, don’t you?

The sound experience which I prefer to all others is the experience of silence. And the silence almost everywhere in the world now is traffic. If you listen to Beethoven or to Mozart you see that they’re always the same. But if you listen to traffic you see it’s always different. [laughs]

[part 2]
When I try to find in the past something which — oh, I don’t what to say but — something which I love. I don’t make any distinction between my own past and the past of musical culture. I think that what is most invigorating, for me, is the music that has not yet been written. I want something I don’t yet know. And I do my best to make each moment like that: something I am not familiar with.

There is a remark by Marcel Duchamp which I love very much. He states it as a goal. “To reach the impossibility of transfering from one like image to another, the memory imprint.”

We don’t have to have tradition if we somehow free ourselves from our memories. Then each thing that we see is new. It is so as though as if we have become tourists and that we were living in countries that were very exciting, because we don’t know them.

I can’t tell anybody how to listen or how to look. I certainly can’t tell them what to remember, particularly when I don’t want to remember anything myself.

If I look at a coca-cola bottle and then look at another coca-cola bottle. I want to forget the first one, in order to see the second coca-bottle as being original. And it is original, because it’s in a different position in space and time and light is shining on it differently, so that no two coca-bottles are the same.
—John Cage, interviewed in the film “Ecoute” (Listen)

 

I’ll make a presumptive statement & say that men who truly, deeply love their wives think that they are most attractive without make-up. I believe this is how Cage felt about sound.

The music is a language that we don’t understand, and the fact of not understanding it is what makes it so attractive.

Amazing, John Cage 🙂

 

Conto: “O grande silêncio” de Ted Chiang

 

 

 

The humans use Arecibo to look for extraterrestrial intelligence.Their desire to make a connection is so strong that they’ve createdan ear capable of hearing across the universe.

But I and my fellow parrots are right here. Why aren’t theyinterested in listening to our voices?

We’re a nonhuman species capable of communicating with them.Aren’t we exactly what humans are looking for?

*

The universe is so vast that intelligent life must surely have arisenmany times. The universe is also so old that even onetechnological species would have had time to expand and fill thegalaxy. Yet there is no sign of life anywhere except on Earth.Humans call this the Fermi paradox.

One proposed solution to the Fermi paradox is that intelligentspecies actively try to conceal their presence, to avoid beingtargeted by hostile invaders.

Speaking as a member of a species that has been driven nearly toextinction by humans, I can attest that this is a wise strategy.

It makes sense to remain quiet and avoid attracting attention.

*

The Fermi paradox is sometimes known as the Great Silence. Theuniverse ought to be a cacophony of voices, but instead it’sdisconcertingly quiet.

Some humans theorize that intelligent species go extinct beforethey can expand into outer space. If they’re correct, then the hushof the night sky is the silence of a graveyard.

Hundreds of years ago, my kind was so plentiful that the Rio Abajoforest resounded with our voices. Now we’re almost gone. Soonthis rainforest may be as silent as the rest of the universe.

*

There was an African Grey Parrot named Alex. He was famous forhis cognitive abilities. Famous among humans, that is.

A human researcher named Irene Pepperberg spent thirty yearsstudying Alex. She found that not only did Alex know the wordsfor shapes and colors, he actually understood the concepts ofshape and color.

Many scientists were skeptical that a bird could grasp abstractconcepts. Humans like to think they’re unique. But eventuallyPepperberg convinced them that Alex wasn’t just repeating words,that he understood what he was saying.

Out of all my cousins, Alex was the one who came closest to beingtaken seriously as a communication partner by humans.

Alex died suddenly, when he was still relatively young. Theevening before he died, Alex said to Pepperberg, “You be good. Ilove you.”

If humans are looking for a connection with a nonhumanintelligence, what more can they ask for than that?

*

Every parrot has a unique call that it uses to identify itself;biologists refer to this as the parrot’s “contact call.”

In 1974, astronomers used Arecibo to broadcast a message intoouter space intended to to demonstrate human intelligence. Thatwas humanity’s contact call.

In the wild, parrots address each other by name. One bird imitatesanother’s contact call to get the other bird’s attention.

If humans ever detect the Arecibo message being sent back toEarth, they will know someone is trying to get their attention.

*

Parrots are vocal learners: we can learn to make new sounds afterwe’ve heard them. It’s an ability that few animals possess. A dogmay understand dozens of commands, but it will never doanything but bark.

Humans are vocal learners, too. We have that in common. Sohumans and parrots share a special relationship with sound. Wedon’t simply cry out. We pronounce. We enunciate.

Perhaps that’s why humans built Arecibo the way they did. Areceiver doesn’t have to be a transmitter, but Arecibo is both. It’san ear for listening, and a mouth for speaking.

*

Humans have lived alongside parrots for thousands of years, andonly recently have they considered the possibility that we mightbe intelligent.

I suppose I can’t blame them. We parrots used to think humansweren’t very bright. It’s hard to make sense of behavior that’s sodifferent from your own.

But parrots are more similar to humans than any extraterrestrialspecies will be, and humans can observe us up close; they can lookus in the eye. How do they expect to recognize an alienintelligence if all they can do is eavesdrop from a hundred lightyears away?

*

It’s no coincidence that “aspiration” means both hope and the actof breathing.

When we speak, we use the breath in our lungs to give ourthoughts a physical form. The sounds we make are simultaneouslyour intentions and our life force.

I speak, therefore I am. Vocal learners, like parrots and humans,are perhaps the only ones who fully comprehend the truth of this.

*

There’s a pleasure that comes with shaping sounds with yourmouth. It’s so primal and visceral that throughout their history,humans have considered the activity a pathway to the divine.

Pythagorean mystics believed that vowels represented the musicof the spheres, and chanted to draw power from them.

Pentecostal Christians believe that when they speak in tongues,they’re speaking the language used by angels in Heaven.

Brahmin Hindus believe that by reciting mantras, they’restrengthening the building blocks of reality.

Only a species of vocal learners would ascribe such importance tosound in their mythologies. We parrots can appreciate that.

*

According to Hindu mythology, the universe was created with asound: “Om.” It’s a syllable that contains within it everything thatever was and everything that will be.

When the Arecibo telescope is pointed at the space between stars,it hears a faint hum.

Astronomers call that the “cosmic microwave background.” It’s theresidual radiation of the Big Bang, the explosion that created theuniverse fourteen billion years ago.

But you can also think of it as a barely audible reverberation ofthat original “Om.” That syllable was so resonant that the night skywill keep vibrating for as long as the universe exists.

When Arecibo is not listening to anything else, it hears the voiceof creation.

*

We Puerto Rican Parrots have our own myths. They’re simplerthan human mythology, but I think humans would take pleasurefrom them.

Alas, our myths are being lost as my species dies out. I doubt thehumans will have deciphered our language before we’re gone.

So the extinction of my species doesn’t just mean the loss of agroup of birds. It’s also the disappearance of our language, ourrituals, our traditions. It’s the silencing of our voice.

*

Human activity has brought my kind to the brink of extinction, butI don’t blame them for it. They didn’t do it maliciously. They justweren’t paying attention.

And humans create such beautiful myths; what imaginations theyhave. Perhaps that’s why their aspirations are so immense. Look atArecibo. Any species who can build such a thing must havegreatness within it.

My species probably won’t be here for much longer; it’s likely thatwe’ll die before our time and join the Great Silence. But before wego, we are sending a message to humanity. We just hope thetelescope at Arecibo will enable them to hear it.

The message is this:

You be good. I love you.

 

Allora & Calzadilla’s video installation The Great Silence (2014) centerson the world’s largest radio telescope, located in Esperanza, Puerto Rico,home to the last remaining population of a critically endangered species ofparrots, Amazona vittata. For the work, Allora & Calzadilla collaboratedwith science fiction author Ted Chiang, who wrote a script in the spirit of afable that ponders the irreducible gaps between living, nonliving, human,animal, technological, and cosmic actors.

Allora & Calzadilla in collaboration with Ted Chiang The Great Silence

Science-fiction writer Ted Chiang

Science-fiction writer Ted Chiang

 

Irene Pepperberg and Alex                                                      

Irene Pepperberg Wiki