Aprendendo a viajar
Em cima da mais alta duna – viagem em 2008 ao deserto do Sahara 

 

O VERBO VIAJAR vem o latim ‘via’: ação de transladar-se de um lugar ao outro.  O verbo aprender tem a mesma origem. ‘Apprehendere’: ação de adquirir o conhecimento por meio do estudo ou da experiência. Dois verbos especialmente unidos, profundamente interacionados.
Viajar e aprender. Aprender e viajar. Em muitas ocasiões, o viajante empreende seu caminho movido por uma ânsia de explorar, de descobrir, de aprender. Inclusive são muitos, como eu, que atestam que toda viagem constitui por si mesmo um intenso e proveitoso exercício de aprendizagem e crescimento pessoal.
 
O viajante que se perde por ruas estreitas; o que saboreia um manjar desconhecido; o que encontra pessoas diferentes; o que escuta a voz de pessoas locais;  o que disfruta em silêncio o amanhecer; e até aquele que enfrenta uma situação inesperada por não conhecer bem uma outra língua. Todos – seja de forma consciente, seja de forma inesperada – adquirem conhecimentos a partir do que viu e o que viveu ao viajar.
Não se trata apenas de colecionar nomes, dados, paisagens e monumentos. Aprender a viajar é algo muito mais complexo, mais profundo, mais efêmero. Inclusive, em alguns casos, se trata de aplicar uma difícil, mas necessária, ação: desaprender. Abandonar preconceitos, estereótipos e os esquemas preconcebidos que por ventura viajam conosco em nossas  maletas. 
 
Casal apaixonado em Malta – viagem em 2012
 
EM MEIO A ESSA DUALIDADE entre viajar e aprender, inauguro uma nova sessão em meumblog de viagens. A partir desse texto, todas as semanas, subirei pelo menos um POST que reflexionará sobre a atividade de um Travel Writer e de todos aqueles quem – seja através de textos, fotografias, vídeos, etc. – buscam comunicar boas historias vividas durante o ato de se deslocar.   
 
As reflexões serão pessoais e refletem minhas leituras e as classes do Master en Periodismo de Viaje. Além disso, buscarei recomendar autores, textos, escritores de viagens e livros

Tudo aquilo que nos ajude a comunicar as viagens de forma mais autênticas, criativas, impactante, que se conectem – de alguma forma – com o leitor. E principalmente que inspirem ações e influenciem novas viagens.  
 
 Visão além do alcance – Mont-Saint Michel em 2012
 
A PRIMEIRA REFLEXÃO, então, é sobre viajar e aprender.

Para mim, a essência de viajar é: estar com todos os sentidos aberto as miudezas e
pequenices; as diferenças e singularidades; ao espírito de um lugar e seus pequenos
prazeres; aos cheiros e  formas, aos sabores e enrascadas. É estar em um estado per permanente de descobertas: de cidades, países e principalmente, de pessoas. 

Assim, pouco a pouco, jornada a jornada, viagem a viagem, entenderá que – como escreveu, o grande mestre Saramago:

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir. E para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.” (trecho do livro Viagem à Portugal)

 

E para vocês: o que é aprender viajar? Como potencializar a aprendizagem e o crescimento pessoal em nossas proximas viagens? Como essa relação entre viajar, aprender e prolongar-se em narrativas se desenvolvem em suas experiências práticas como viajantes? 

Começa aqui essa nossa particular viagem … 
Dica de leitura para todos que se interessem na “filosofia” e “essência” das viagens:

– The Tao of Travel, Paul Theroux

*Para quem quiser saber mais sobre o livro  indico a resenha no Blog Odepórica, que é voltado para literatura de viagens e seus aspectos simbólicos. O conteúdo é de primeira, de altíssimo nível: Leitura essencial: O Tao da viagem, by Paul Theroux (Vou admitir: este blog é uma grande referencias e seguramente estará muitas vezes indicado por mim)

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