A viagem como um produto perfeito

Não acredite nas propagandas das agências ou no produto perfeito que muitos blogs de viagens tentam te fazer engolir. Viajar não é a solução dos seus problemas e, muito menos, a  coisa mais importante do mundo. Não é o único investimento que você faz que te deixa mais rico; comprar livros também, só para dar outro exemplo. Ninguém se torna, infelizmente, uma pessoa melhor, mais completa, feliz e madura depois de colocar uma mochila nas costas. Podemos viajar por todo o mundo em busca do que é belo, como bem disse Ralph W. Emerson, mas se já não o trouxermos conosco, nunca o encontraremos. A viagem é como a vida; muito mais complexa do que esta hipérbole idealizada, rasa e comercializável.

 

É um engano achar que podemos encontrar algo em um país estrangeiro que não possamos encontrar na nossa própria casa; tudo o que precisamos esta aqui e agora. Sidarta Gautama, por exemplo, experimentou toda a realidade que ele necessitava sentado em um único lugar. Viajar para esquecer os problemas ou em busca de algo é como aquela parábola sufi onde o homem santo esta agachado buscando, no chão, as chaves que havia perdido: 

– Mullá, tem certeza que deixou cair suas chaves por aqui? – perguntou o jovem que o ajudava. 

– Não. – respondeu o santo – A perdi defronte a minha casa. 

– Então, porque o senhor está buscando neste lugar?

– Ora, porque aqui há muito mais luz!

 É um engano achar que podemos encontrar algo em um país estrangeiro que não possamos encontrar na nossa própria casa; tudo o que precisamos esta aqui e agora. Sidarta Gautama, por exemplo, experimentou toda a realidade que ele necessitava sentado em um único lugar.

Porém, ainda assim, viajar continua sendo, para mim, algo muito importante. É a minha maneira de olhar pela janela, sair do meu quarto e colocar a minha Salvador natal em perspectiva. É a forma que encontrei de relembrar a mim mesmo a importância de estar sempre alerta; ou de  perceber, na prática, que não existem fronteiras, elas são apenas criações da complexa mente humana; ou que não há, por exemplo, brasileiros e argentinos, somos todos humanos, acima de tudo. Viajar pode, definitivamente, aportar um tipo de sabedoria especial para aqueles que estão abertos a ela. Mas, não porque viajar seja a fonte deste conhecimento, mas, sim, o seu combustível. O movimento fisico em si não é o fundamental, mas ele pode ser o catalisador na medida que me permite entrar em contato com aspectos antes insuspeitáveis de mim mesmo e, como consequência, do mundo exterior. Tudo o que busco já está dentro de mim. E as viagens ajudam a dar-me conta disto.  

Leave A Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *