Gratidão

Queridos amigos,

Muito obrigado! Gratidão por cada um dos abraços, telefonemas, mensagens, parabéns – vocês fizeram o meu 8 de novembro mais feliz 🙂

Apesar das comemorações, também andei triste pelos ultimos acontecimentos.

E não dizer que tudo vai estar ok, nem pedir que você seja otimista.

A única coisa que peço é você seja exatamente como você é neste instante.

Mas, por difícil que pareça, acredito que vamos sobreviver aos Cunhas, Temers, aos Brexits e aos Trumps.

É que ainda acredito na Humanidade.

Acredito que o ser humano é algo de um potencial incrível.

Contam – e isso sempre teve um impacto profundo em mim – que a primeira coisa que o Buda disse após atingir o nirvana: “que maravilha, já somos”.

Em palavras cristãs, “todos somos filho de Deus” ou “porque eis que o reino de Deus está entre vós”.

Ou seja, já exercemos na plenitude. Tudo que precisamos para ser felizes já está aqui, dentro de nós.

Todos já somos e isso é incrível.

A grande questão é o que estamos fazendo para não notar isso?

Quanto desassossego e inquietude e lama está sobre nós que não conseguimos ver este diamante interior?

Os oportunistas, odiosos, e maus políticos não são a causa, mas sim um sintoma.

Sintoma de uma sociedade individualista, competitiva, acumuladora, medrosa e, por isso, bélica.

E um humilde remedio no qual acredito é numa revolução interior.

A revolução da consiência.

Despertar desse filme e dessas identificações que estamos submersos.

Enxergar as coisas como realmente são, sem dualismo, separatismo ou descriminações.

Por isso é tão importante viajarmos … de forma mais lenta e autêntica, para ver, ouvir e a se colocar no lugar de outros. Para aprender a “desaprender”.

Por isso é tão importante o conhecimento de si mesmo … experimentar quem realmente somos, e não apenas o nosso ego, a figura mental que aprendemos a chamar de “eu”, individual e separado.

Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu”, já diria o Poeta Maior.

Os budistas, por exemplo, acreditam que é um privilégio nascer na forma humana.

Não desperdicemos essa oportunidade.

E que todos os desejos de parabéns e felicidades sejam compartidos para todos nós … pois a felicidade mais duradora é aquela que é compartida com os demais.

Muito obrigado, mais uma vez.

 

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Amor e Odio em Zagreb

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Era um muro branco e estava perto do centro histórico de Zagreb, a capital da Croácia.

Alguém havia grafitado em letras grandes, verdes e estilizadas:

I HATE THIS TOWN.

Não se sabe quando e muito menos quem. O que se sabe é que um outro alguém havia visto, assim como nós, aquela mensagem … e que resolveu fazer algo a respeito: escolheu um giz preto e, por cima do HATE, sob o muro branco e em letras verdes, escreveu cuidadosamente a palavra:

L-O-V-E.

A pessoa ainda aproveitou para desenhar um simpático coração no cantinho da frase. E a sentença ficou assim, por cima da antiga:

I LOVE THIS TOWN.

A mesma cidade, o ódio e o amor, dois sentimentos opostos.

Lembrei de Fernando Pessoa no Livro do Desassossego: “A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos”.

Assim também era Zagreb (ou qualquer lugar que visitamos). A impressão que temos sobre uma determinada cidade é, também, o retrato de quem somos e sentimos naquele preciso instante.

*imagem tirada no verão de 2013, numa roadtrip entre Romênia, Hungria e Croácia.

100 MELHORES DO POESIA DO GOOGLE VOLUME 1

As  coisas – escreveu uma vez Manoel de Barro – não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis. Elas desejam ser olhadas de azul – Que nem criança que você olha de ave.

Seu Manoel sabia das coisas: a poesia é um convite a “transver” o mundo. Reenxergar o dia-a-dia, vê-lo de forma mais fresca e criativa; como alguém  que “escuta as cores dos passáros” ou “amarra o tempo no poste”.

Manuel de Barros era craque em “descobrir” beleza nos lugares mais improváveis. Todo objeto era poético, toda realidade podia ser vista “de azul”… pois “a importância de uma coisa não se mede com fita métrica (…) há que ser medida pelo encantamento que produza em nós”.

Cultivar o olhar criativo e buscar “poesias” em meio ao nosso cotidiano – tantas vezes tão indiferente e mecânico. É nisto que aposta este projeto.

Seria possível encontrar este encantamento em meio à algo tão tecnologico como as sugestões automáticas do Google?

Acreditamos que sim.

Te conto como funciona: na medida em que o usuário digita na caixa de pesquisa, os algoritmos do Google apresentam consultas baseadas em atividades de outros usuários.

A ordem em que aparecem as sugestões se dá pela própria importância dos assuntos para uma determinada comunidade. Quanto mais um termo é buscado, mais acima ele aparece nas sugestões quando iniciamos uma pesquisa. É ai que entra o experimento …  a interação entre o homem e a máquina.

E o olhar do “poeta”.

A partir das primeiras respostas, uma “poesia do google” surge.

O resultado pode ser profundo, enigmático, engraçado ou mesmo absurdo. Justo o que buscamos: combinações criativas, bem humoradas, sensíveis …. que fujam do comum.

Ao digitar a expressão “mesmo antes de”, o leitor Victor Lima conseguiu o seguinte resultado:

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 Já o Raphael Irere colocou no Google a palavra “sofro” e nos enviou o “poema” abaixo:
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Outra boa Poesia do Google foi enviada pelo Amarildo Ferreira:

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São muitos os exemplos como os acima. Nestes dois anos e meio de Tumblr foram publicadas mais de três mil “poemas” enviados por pessoas dos mais diferentes lugares do Brasil.

O Poesia do Google foi criado em novembro de 2012. Poucas semanas depois de coletar as primeiras dezenas de prints enviados por amigos, eu recebi um e-mail de Sampsa Nuotio, o fundador do Google Poetics. Era um convite para me associar ao projeto.

O Tumblr em português foi a primeira versão oficial depois do original em inglês e filandês; logo viriam as em italiano, espanhol, holandês, sueco, alemão, bósnio, francês, letão, sérvio e dinamarquês.

Em março de 2013 veio o primeiro boom. Fomos escolhidos como Tumblr da semana do YouPix, com destaques seguidos da revista Piauí, o Jornal O Globo, revista Galileu e muitas outras.

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Reunimos neste volume algumas das 100 melhores poesias publicadas originalmente na nossa web. A grande maioria foi enviada pelos nossos leitores e os créditos de cada “poema” aparece junto à montagem. As poesias que aparecem sem autor foram coletadas por mim ou por pessoas que preferiam ficar no anonimato.

 

O Poesia do Google deve ser encarado de forma leve, como uma brincadeira ou um exercício de enxergar resultados engracados e belos em algo tão mecânico como o Google. Não existe a pretensão do fazer artistico ou de concorrer com a poesia convencional. Muito pelo contrário … queremos ser apenas como uma exércicio criativo; uma pequena maneira de pensar fora da caixa.

 

Acreditamos que a poesia está por aí … nas coisas simples; no nosso cotidiano; inclusive no Google.

Basta estar atento e enxergar.

Que vocês possa desfrutar estes poemas tanto quanto me divertir planejando e editando este livro.

Que a poesia esteja  presente cada vez mais nas nossas vidas … E até as 100 Melhores do Poesia do Google volume 2

Com carinho,

Davi Carneiro.
(clique abaixo para acessar o 100 Melhores do Poesia do Google vol. 1)

https://readymag.com/174160

Lisboa e As Castanhas de Maria do Céu

  Texto. Fotografia. Vídeo. Audio. Literatura.

E, principalmente, viagens !

99% do conteúdo de viagens que encontramos na internet é voltado para a prestação de serviços (dicas, hotéis, restaurantes … aquelas listas chatas de Top 10 … blá, blá, blá.)

Mas o foco aqui é outro: contar boas histórias e envolver o leitor de forma mais profunda na experiência de viajar.

Cheiros, formas, sabores, texturas, dificuldades, a descoberta de lugares, países e, acima de tudo, a descoberta de pessoas e de si mesmo.  

Fica o convite para conhecer histórias verdadeiras, num formato multimídia; textos mais longos, marcados pelo Jornalismo Literário e a Literatura de viagens.  

 

Lisboa e As Castanhas de Maria do Céu. (clique abaixo para abrir)

https://readymag.com/65510      

 

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As castanhas de Maria do Céu – Lisboa

 

Texto. Fotografia. Vídeo. Audio. Literatura.

E, principalmente, viagens !

99% do conteúdo de viagens que encontramos na internet é voltado para a prestação de serviços (dicas, hotéis, restaurantes … aquelas listas nada originais de Top 10, etc ….)

Mas o foco aqui é outro: contar boas histórias e envolver o leitor de forma mais profunda na experiência de viajar.

Cheiros, formas, sabores, texturas, dificuldades, a descoberta de lugares, países e, acima de tudo, a descoberta de pessoas e de si mesmo.  

Fica o convite para conhecer histórias verdadeiras, num formato multimídia; textos mais longos, marcados pelo Jornalismo Literário e a Literatura de viagens.

 

Lisboa e As Castanhas de Maria do Céu. (clique abaixo para abrir o texto e a galeria de fotos)

https://readymag.com/65510

 

 

 

 

 

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O que dizer de mim?

Foi há algum tempo … no Parc de la Ciutadella em Barcelona.

O viajante acompanhava a conferência de um velho maestro.

Estava na sessão final de perguntas quando um jovem pediu a palavra:

– Lindas palavras maestro … mas, o que o senhor poderia nos contar de si mesmo?

O velho palestrante em silêncio por alguns segundos …

E depois apontou com o indicador direito para cima.

Seguimos o movimento do seu dedo com a cabeça, sem entender aquele gesto.

O céu de outono, lá no alto, era de um azul tranquilo e profundo.

Depois de alguns minutos, por fim, o maestro contestou:

– Observe as nuvens, meu filho … o que posso dizer de mim que não possa ser observado nas nuvens …

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